Diagnóstico de autismo em adultos | como identificar

O Diagnóstico do Autismo em Adultos

 O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é frequentemente identificado na infância, mas é importante destacar que muitos adultos também podem receber esse diagnóstico, uma vez que a condição afeta o indivíduo ao longo de todas as fases da vida. Reconhecer os sinais de TEA em adultos é essencial, pois ajuda a identificar quadros que podem ter passado despercebidos em avaliações anteriores ou suas queixas foram erroneamente atribuídas apenas a outras causas, como transtornos de ansiedade ou de humor.

A baixa divulgação de informações sobre o autismo na fase adulta pode dificultar o reconhecimento das verdadeiras dificuldades enfrentadas pela pessoa autista e atrasar o encaminhamento para serviços de atendimento especializado. Neste artigo, vamos abordar sobre os principais sinais de TEA em adultos, suas manifestações e a importância de buscar profissionais especializados em autismo na fase adulta para o diagnóstico e tratamento.

O que é o TEA?

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por dificuldades persistentes na comunicação, além de padrões de comportamentos restritos e repetitivos que impactam na socialização. As características variam amplamente entre os indivíduos autistas — daí o uso do termo “espectro”. Em alguns casos, o transtorno pode ser identificado apenas na adolescência ou na fase adulta, embora o diagnóstico possa ser realizado em qualquer idade.

O Autismo na fase Adulta

Na fase adulta, o diagnóstico do TEA se torna desafiador, pois muitos indivíduos já aprenderam a disfarçar seus sintomas para se ajustarem às expectativas sociais. Além disso, pessoas com níveis de inteligência acima da média podem desenvolver estratégias compensatórias, o que dificulta ainda mais a identificação dos sinais do TEA. As mulheres autistas também apresentam um desafio nesse contexto, uma vez que as características do TEA podem ser diferentes das observadas em homens, exigindo uma avaliação diagnóstica cuidadosa feita por profissionais que tenham experiência e conhecimento sobre o fenótipo feminino do TEA.

Características do Autismo em adultos

As características do autismo são altamente variáveis, especialmente em função da gravidade do transtorno. No entanto, alguns sinais podem auxiliar no reconhecimento do autismo em adultos, tais como:

Dificuldades de comunicação: pessoas autistas podem enfrentar dificuldades ao iniciar e manter conversas e na interpretação de sutilezas da linguagem, como expressões de duplo sentido, sarcasmo e ironia. Muitas vezes, eles se sentem mais confortáveis ​​interagindo em pequenos grupos, geralmente com pessoas conhecidas.

Comportamentos repetitivos: isso pode incluir a repetição de certas ações, como consumir sempre os mesmos alimentos de uma marca específica, ou a necessidade de seguir rotinas estritas.

Comportamentos inflexíveis: diante de mudanças podem apresentar respostas emocionais intensas e enfrentar dificuldades para se adaptarem, mesmo em situações cotidianas. Por exemplo, sentar-se sempre no mesmo lugar à mesa e, em um determinado dia, esse lugar é ocupado por outra pessoa, isso pode provocar uma crise.

Interesses intensos: independentemente da idade, pessoas no espectro autista podem ter interesses profundos e específicos em determinados temas, tornando-se especialistas nessas áreas. No entanto, essa intensidade pode limitar a socialização, pois muitas vezes elas costumam conversar apenas sobre esses assuntos.

Sensibilidade sensorial: muitas vezes, pode haver hipersensibilidade ou hipossensibilidade a estímulos sensoriais, como luzes, sons e texturas. Geralmente, a hipersensibilidade apresenta maiores desafios, pois algumas pessoas autistas podem evitar locais movimentados, mesmo quando precisam fazer compras, como supermercados, ou se encontrarem com alguém em um local público.

Baixa socialização: muitas vezes podem se sentir desconfortáveis ​​em situações sociais mesmo com pessoas de seu convívio, evitando interações sociais e preferindo atividades solitárias.

A Importância do Diagnóstico Tardio

Reconhecer os sinais de TEA em adultos é o primeiro passo para buscar informações sobre o tema. O diagnóstico tardio é fundamental, pois permite que indivíduos que enfrentam dificuldades “inexplicáveis” ao longo da vida compreendam a origem de seus desafios, proporcionando alívio e diminuição da autocobrança para se encaixarem. Isso resulta em uma maior auto aceitação e na compreensão pessoal. Além disso, um diagnóstico formal fornece acesso a direitos que antes não estavam disponíveis, como concorrer a vagas para PCD em concursos públicos.

Avaliação e diagnóstico de TEA

Se você ou alguém que você conhece apresenta sinais de TEA, é essencial procurar profissionais com conhecimento em autismo para investigar a hipótese diagnóstica. Um neuropsicólogo, por meio da avaliação neuropsicológica, pode auxiliar a identificar diferenças entre o autismo e outras condições que podem ter sintomas semelhantes, garantindo um diagnóstico preciso.

A avaliação neuropsicológica fornece informações importantes sobre o funcionamento executivo, memória, atenção, proporcionando uma análise completa do perfil cognitivo e emocional da pessoa avaliada. Os resultados dessa avaliação são apresentados em um laudo detalhado, que inclui todos os dados e informações necessárias para orientar intervenções e maximizar os resultados dos tratamentos recebidos.

Tratamento Psicológico para Autismo

No campo dos tratamentos psicológicos, a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) apresenta evidências científicas de eficácia para o tratamento de jovens e adultos autistas com suporte de nível 1, tanto a curto quanto a longo prazo. Essa abordagem também é recomendada para tratamento de comorbidades, como TDAH, TOC, bipolaridade e depressão, pois é um tratamento estruturado que foca no desenvolvimento de estratégias adaptativas e desenvolvimentos de habilidades sociais.

A Cerebrus oferece atendimento online com profissionais especializados no diagnóstico e tratamento de indivíduos com suspeita ou diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Referências

Antunes, A. M., Júlio-Costa, A., & Starling-ALves, I. (Orgs). (2023). Leve pra quem?: Transtorno do Espectro Autista: nível 1 de suporte. Belo Horizontes: Editora Ampla.

Associação Psiquiátrica Americana. (2022). Transtornos do neurodesenvolvimento. Em Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (5ª ed., texto rev.). 

Assumpção Jr, F. B., & Del Porto, J. A. (Orgs). (2023). Autismo no adulto. Porto Alegre: Artmed.

Yu, Z., Zhang, P., Tao, C., Lu, L., & Tang, C. (2023). Efficacy of nonpharmacological interventions targeting social function in children and adults with autism spectrum disorder: A systematic review and meta-analysis. PLoS One, 18(9), 1-19. doi: 10.1371/journal.pone.0291720.